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Comportamento Informação
6/08/2018
O Fator Humano que se dá pela escuta

Como podemos aprender a escutar o outro?

Somos uma sociedade marcada pelo desejo da surdez. Aprendemos desde cedo a ouvir o outro a partir de nós mesmos, sem abandonar a nossa própria posição e responder o outro a partir disso.

Na GOGO Digital, a partir do Fator H, falamos de forma insistente sobre a prática da empatia. Num mundo de obesidade de dados, vivemos rumo à anorexia da escuta verdadeira, do entendimento do outro.

Não é fácil sair do status quo, fomos instruídos a agir assim. Nossa escuta é colonizadora. Numa conversa há sempre aquele que detém o saber e o pedinte, o que precisa obter conhecimento. A obediência e a submissão. Modelo que vem das trocas econômicas e que estabelece relações de poder verticais. Tudo isso impede a empatia e nos coloca novamente no ciclo vicioso de ouvir apenas a nós mesmos.

Certa vez, num curso de especialização, o exercício era escutar o outro (desconhecido) sem emitir qualquer opinião. Não havia tema a ser seguido. E depois, falar. Parece fácil, mas não é. Foi um choque para os empresários na sala, alguns se emocionaram por serem capazes de redescobrir a escuta, e outros por finalmente se sentirem ouvidos.

 

Escutar o outro é renunciar a posição de poder

Todas as nossas relações estabelecem algum tipo de poder. E por isso escutar se torna tão desafiador. É preciso sair de si. Um movimento contra-narcísico de renunciar a sua identidade, se colocar como ouvinte e abrir-se para o outro.

 

“Os mal-entendidos são a essência da comunicação” (Lacan)

Precisamos reconhecer e aceitar que a troca pela linguagem sempre é inconcluída, não resolvida, às vezes mal dita. Por isso, uma boa posição de escuta é aquela que pode suportar a incerteza.

Aliás, uma boa posição para os novos tempos é suportar a incerteza em todos os âmbitos.

A GOGO não é uma agência de certezas, mas nós sabemos escutar o que as pessoas dizem. Para que isso faça sentido é necessário se libertar das relações de poder, é preciso parar de buscar a submissão, a razão e a verdade absoluta nas relações.

Nem sempre (quase nunca) você ou sua empresa são as únicas vozes que importam. Escute o que sua equipe tem a dizer. Escute seus clientes. Escute todos que consomem produtos como o seu. Escute a sua agência. Escute os seus sócios, filhos, amigos.

Vivemos tempos difíceis. Será bem mais fácil enfrentá-los se voltarmos a usar todos os nossos sentidos.

 

 


 

Paola Faria

Ceo GOGO Digital